Não tenho mais pressa.
Sei como vai terminar.
Odeio saber que sou presa.
Odeio o pesar.
Terminou.
Por todos os infortúnios do mundo
Passando, tranquilo sem rumo
Um bosque, um alvo estampado
No peito. Estardalhaço.
Nas veias,
o cheiro de antes
o gosto de Dantes
E a pena de não mais estancar
O cansaço do amor morto.
São dois pesos, duas medidas
Duas ruas, sem saída
ambas vias de sorrisos e lágrimas.
Uma gruta, confortável
um carinho
tão afável
e a coragem de entregar meus brios.
Frios.
Limitados e constrangidos.
Mais uma parte do meu coração é reino
Tem monarcas, estampidos, fogo de chão
uma terra fértil para plantar.
Não será mais frutas, que me alimentam
nem verduras, que me sustentam.
Serão rosas.
Porque além de enfeites
eu quero espinhos
além de alimento
quero saciedade
além de rotina
novidade
e, ao invés de caridade,
almejo a verdade
e o que ela me traz.
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
sábado, 16 de outubro de 2010
Voltei a ser meu
Agora sei quem sou e nem sempre fui.
Um ser livre, não necessariamente humano. Que tinha esquecido de suas raízes por puro medo de ousar.
Um ser livre, não necessariamente humano. Que tinha esquecido de suas raízes por puro medo de ousar.
A partir de agora, me proclamo novo.
Completo.
Seguro.
E colocarei minhas asas podadas para voar.
Que venham as aventuras, anseios e medos. Eu enfrento. Sempre fui sozinho. Companhia não é corpo: é alma!
Não me permito mais ficar na monotonia deste mesmo lugar.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Auto Imagem
A meia luz, meio som, meia imagem.
A vontade de sair daqui e cumprir o que ainda não tomei por consciência. Saborear a porventura dos ventos, no rosto. Transpor esta inoperante e desgostosa abstinência.
O que ainda não fiz...Mas ah! Foi por um triz...
Ser perdido, dançante, manequim. Exemplo de coluna ereta, ter a constância como meta, um ombro cálido como estopim. Um desejo latente, um colírio ardente, um querer ser já na vontade de não mais estar. Depois disso tudo, o que mais sei é que me chamo Edmar.
Não vivo o hoje como veneno. Tampouco como elixir de boa sorte. Driblo a morte, a covarde distração de objetos (cenas sem corte) e ao impulso de arquitetar planos lanço minha sorte. Vou indo como quem nunca foi, mas como quem sempre quer voltar. O caminho é longo, a estrada é íngrime, o impulso cessa. E é ai, sempre nessa pressa de atingir o que estipulei, de pular os obstáculos que eu próprio criei, que me atrapalho no labirinto do adultecer. Do fazer e do amar. E, cada vez mais perdido no que acho, cada vez mais constante no que abraço, sinto que me chamo Edmar.
Não falo mais alto. Não caio nos verbos. O curso que agora tomo, em goles homeopáticos, tem tudo a ver com cautela. Janela aberta, sol que entra, calor que sai. Dos poros, livre e vai. Desejo paralelo, uma cria que a robustos olhos se copia, se traduz e se trancende. Um escape de viver complicado, compilado, inocente.
Um ser que tenta e chora, copiosamente, pelo direito de poder se firmar. Neste momento, mais do que nunca, atendo pelo nome de Edmar.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Mas quem nos disse que viver seria fácil? São tantos desencontros, atropelos. No nosso caso em especial, uma rotina LOUCA e corrida, estudo e trabalho, louça e roupas pra lavar, contas pra pagar, casa pra arrumar, rancho pra fazer... Trabalho herculano.
Se não déssemos vasão à tristeza, de vez em quando, piraríamos.
this is natural.
domingo, 10 de outubro de 2010
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Droga de amor
A abstinência é o único antídoto para o abandono deste vício.
É possível se libertar,
quando a luta tem este objetivo.
A dor pode ser incontestável. Mas a excitação pela vida é infinitamente maior.
Lembranças se fundem com desejos
Espetados, incômodos
Nos cacos que sobraram de uma Torre de Babel
que caiu.
Agora sou eu quem cuido de mim.
Minhas necessidades são egoístas
E me permito ter raiva da tua covardia.
Se o coração fosse na barriga
como se acreditava na Idade Média
diria que sinto dor abdominal. Visceral.
Porém,
as ervas que tratam deste tipo de enfermidade
as ervas que tratam deste tipo de enfermidade
já estão dispostas no meu balcão
e a água fervendo, esperando imersão.
Em breve estarei melhor do que já estou
e pronto para outros ciclos.
Um dia depois do outro,
e pessoas na minha vida, na mesma ordem, virão.
Eu declaro minha independência
E não preciso mais de pena de ninguém.
Agora (verdadeiramente) estou seguro
Meu governo a mim diz respeito
e o vazio no peito
já começou a deixar de existir.
domingo, 3 de outubro de 2010
Aguardo, não sei por quanto tempo
seria esbarrar em muitos princípios
próprios
que eu tenho e não abro mão.
Porém, apenas duas palavras
Profetizadas pela tua boca
Disparadas em ressonância
Mudariam o rumo da minha história. E da tua.
Entendo o quão é difícil encerrar o que tens agora
E como seria complicado tocar
Algo novo. Neste contexto.
Mas a vida é uma caixa de surpresas
e eu não tenho coragem de fechar portas para belas oportunidades.
Com essas duas palavras
ditas no linguajar da novidade
como aposta em diversão, igualdade
aposto para tua fragilidade
Eu não pensaria duas vezes em acatar.
Me atiraria de alma
Levaria meus medos
Curaria tuas chagas.
Ainda aguardo essas palavras
ditas pessoalmente, na sala da minha casa
com ímpeto de completude.
Te espero, sentado no sofá
olhando pra janela
e me dá arrepios pensar em como seria ouvir de ti:
- ESTOU LIVRE.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Sozinho
Penei no meu caminho
como se fosse o certo
Atravessei a rua
com meu passo tímido
Olhar atrás dos óculos
pupilas frenéticas
Mastigando meu chiclete
gosto menta ácida.
Mirei olhar pra cima
ofuscando a vista
A lágrima brotou
no rosto antes pálido
A certeza da certeza
se desfez em dúvidas
Tudo que eu acreditava
Voou, borboleta.
Eu caço teu carinho
como um respiro
Corroo minhas falhas
fagulha de lástimas
Te quero, te preciso
do meu lado único
Aceito tua ida
e minha vida cinza
Com ódio de ganhar
a tua despedida.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
No altar do sultão tudo é riqueza.
Aneis para os dedos
Armas para os zelos
E um querer mandar sem sutileza.
O cálice, com ópio
O mámore, colóquio
E amor de sultana. Proeza.
Frutas para morder
manifestos para querer
E talvez um trono. E paciência.
Linhaça
Cachaça
Açúcar
Sem fim.
O amor, que é só amor
ali não rima com nada.
O poema, que é som, andor
ali empedra.
Majestade cansada.
Descomeçar
Eu conheço o medo de ter medo
e meço, na medida mediana
a angústia de esquecer o que não deu.
Lembra, se puder
o pudor que tínhamos outrora
a cena, enquadrada, vislumbrada
sanatória
e
me diz
agora
onde é que vais colocar as mãos?
Não tenha medo. Por ti, eu já tenho.
Transpassa o passo no mundo afora
Te faz pena leve, em vento forte
Me come, me chupa.
Me namora.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Madalena
A Madalena me ligou. E quis carinho.
Não sabia absolutamente o que dizer, o pranto comunicava tudo. O telefone, molhado do outro lado, escorre mais do que agruras. Escorre. Choro e dor.
Pode vir o que for do lado de lá. Sempre tem jeito.
A vida me deu o presente de estar na lista telefônica dela. Na memória do chip do aparelho. Como último recurso contra o que tinge o seu rosto de maquiagem borrada.
Nada mais para acreditar. Além do que você já viu, Madalena.
Grita para comemorar. Torce para amanhecer. O tempo não manchará mais do que o lenço que te faz compania presente. Adere ao suspiro livre, ao vento que baila teus cabelos na calçada. Crê no brinde da taça de vinho, no vermelho que marca a digital do teu beijo, no cristal do copo de extrato de tomate.
Ele não voltará, querida. E isso é bom.
Orquestra sinfônica de silêncio. Te compro um ingresso, e tu vais sozinha.
Tudo vai passar. Inclusive, esse teu sôfrego engasgo de resposta.
Encosta, no sofá rasgado, e dorme.
O que tu precisas é de um pouco de abraço de ninguém.
Candidatura
Lanço aqui minha candidatura. Tanto faz se para deputado, senador ou prefeito. Essa escolha também fica por sua conta. Vou aproveitar ao máximo os luxos da democracia.
Seria injustiça se não colocasse meu nome ao seu dispor, caro eleitor. Em primeiro lugar, lhe asseguro que não farei nada por você. Nem pela pátria. Nem por ninguém que não me interesse (e isso é bastante gente).
Não sou bobo em ir contra a maré. Ninguém faz nada, não sou eu quem vou fazer. Corro o risco de ser alvo de olhares pecuniosos, nada peculiares. Minha mais forte característica é a preguiça. Aliás, esta palavra vai fazer parte do meu slogam eleitoral, de alguma maneira. Assim que eu tiver disposição, penso em algo.
Então, minhas ferramentas para fazer alguma coisa útil serão não fazer absolutamente nada. Meu partido será o mais absoluto mal senso. Receberei meu salário, encargos, comissões e caixa-dois com amor ao povo, aquele que compõe os metros quadrados da minha casa. Talvez algum mendigo do Parcão, se me cativar a bondade momentânea. Mas desde já não garanto.
Caso você, passivo eleitor, dedique a mim seu voto nas caixas mágicas, teclando meu número ao contemplar a foto sorridente, lhe agradeço. Aquele boneco que me representa será o máximo de contato que terás comigo. Depois daquilo, te peço que me ignores. Eu farei o mesmo, honrando meu brasão que nada tem de verde e amarelo. Ignorar não deve ser pedir demais para um ignorante.
Ao receber os dez contos mensais, sairei para festas e comprarei quindins. Talvez fique mais generoso nos pequenos roubos diários, milímétricos delitos, no troco do pão e do leite na venda da esquina. Isso se não encotrar o mendigo citado acima. Concorro a um cargo político, não a uma vaga de padre na capela do centro da cidade.
Se eu melhorar minha vivência, encostar em travesseiros de pena de ganso, o povo ganha. Isso porque, sendo eu parte da humanidade, e nós um conjunto, quando um melhora, os outros também. Mesmo que seja espiritualmente. Minha fortuna a todos agrada. Ou deveria, se fossem espertos.
Depois, ao invés de me reeleger, escolho uma mulher qualquer e lanço para minha vaga. Mulheres cativam. Já vou ter não trabalhado bastante. Sonho, mais do que tudo, com a aposentadoria. Se não vingar, contrato alguém para quebrar o sigilo bancário da minha finha e cunhado, os quais eu sustendo à pão-de-ló, vinhos e queijos. Digo que foi meu concorrente.
Convenhamos. Podes me taxar de qualquer coisa. Mas não de criativo.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Nós somos diferentes?

Nós somos diferentes?
Realmente, um post sobre as discrepâncias humanas é algo difícil de se construir. Sendo que, invariavelmente, todos acham já ter a resposta sobre a dedução que abriu esse post, na ponta da língua. Cada um com a sua. E todos pra lá de certos.
Porém, já pensaste que pode existir uma conclusão mais unânime? Algo mais paupável, em que possamos nos enrraigar mais fortemente?
Meu cabelo não é igual ao teu / O teu nome nao fui eu quem deu. Já dizia aquela música.
Mamãe costumava falar sobre isso de maneira menos "pop" e taxativa. Explicava que meninos tinham pintinho e meninas uma outra coisa, inominável. Talvez ela achasse que xexeca, buceta ou outra coisa do gênero poderia traumatizar a cabeça de uma criança. E se eu perguntasse a ela novamente, agora mesmo, qual seria a resposta? Igualmente cuidadosa? E vou mais longe... qual seria a resposta da SUA mãe? Qual o vocabulário de explicações dela?
Eu não tenho equivalentes. Não sou idêntico a ti, nem a minha mãe. Não tenho as mesmas respostas que ela, nem as mesmas que tu, nem as de ninguém. Nem pretendo ter. Não PRECISO ter.
E essa já é a resposta pronta de todos. E a minha também.
domingo, 6 de junho de 2010
Vida repetida
A falta de verdade nos meus dias,
me embala como canções de ninar vazias.
O mais, no mais, tardia,
uma vontade de escrever sem ter tempo.
Covardia repetida.
Pirraça, de não mais saber me sentir inteiro
no intento de me tomar mais completo, ligeiro
na vontade de espassar os minutos, matreiro
e de me encontrar teclando coisas em vão. Do coração.
Minuto, que se passou e antes era tão belo
e agora que o vivi, virou flagelo
por não ter feito o que eu deveria ter dito
E ter dito o que deveria ser feito.
Mas antes de mirar aurora na minha janela
de fechar os olhos e abrí-los, nesta cela
de embates e desencontros festivos
Garanto que tudo vai acontecer de novo
e o novo, virá como artigo antigo
com cheiro de coisa reformada, relida.
E assim vou reformando a minha
Repetida.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Quizera eu
Ser teu sonho que jamais confessarias.
Personagem do delírio mais devasso.
No espaço dum sorriso de escraxo
A cor rubra que aquarela o teu rosto.
Quisera eu, te servir como alimento
Aoa teus caprichos, disposto em uma bandeja
Ser mastigado, engolido e digerido.
Te nutrindo
E em teu estômago me transformar em borboletas.
Assinar:
Postagens (Atom)












