segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Flutuar
Existia, em um quarto pequeno e assustador
Um garoto igualmente pequeno e assustador.
Este quarto, em uma cidade grande, prendia o garoto
E o fazia ter ideias pequenas e assustadoras.
Noções pequenas e assustadoras.
E o encerrava em um mundo com as mesmas dimenções.
Porém, ele tinha uma mania. Escrever coisas que você nunca leu.
E viajando em suas própria palavras, criou penas e ossos ocos.
E voou.
Será que isso tem algum significado?
Serias forte o bastante para descobrir?
Existe um par de asas, em algum lugar, dento de ti.
E elas estão preparadas.
Compania tens. Capacidade, sempre teve.
Agora só falta a coragem.
Vamos flutuar?
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Destruir ou devorar?

É tão tentador tentar a dor... Cutucar aquela ferida que, cicatrizada, um dia produzia pus e hoje só coceira traz. Me sinto dono das emoções, próprias, e me desfacelo antes que façam isso sem avisar. Como sou rápido!
Das fraquezas, o rei absoluto. O tapete, vermelho de perigo.
Atrás do bonde diário de rotinas, corto caminho e respiação, tentando não ser tragado por um desmaio de loucura ou relampejo de consciência. Passeio por cada cigarro fumado, asneira ditada, pronúncia de ânsia corporal. Cortejo à vida inconsequente, pelos devaneios da mente, pela permissão de tentar um pouco mais.
Me municio com dilemas novos, com pesares leves, com uma nova ótica de observar a mim e aos outros. Somos todos ridículos. São todos ridículos. Hoje tenho a certeza de que o mesmo esforço que faço para rir, faço também para chorar.
Eu me perdoo por todos os muros que desci, sendo que deveria lá ficar. Todas as decisões atrozes que suportei sem o suplício medo de errar. Por todos os males que cortei pela raíz, sabendo que frutas ácidas também podem alimentar. Tudo pode ser palatar.
O carinho por mim se engrandece na mesma fração e frequência que a sede pelo mundo, a fome pelo tudo, o cuidado para não pisar no reboco da lajota. Lá, pelo mundo que me cerca e que me tem. Perdi o medo, a vergonha, o sono, o copo de cólera clichê que bebia toda santa manhã, com requintes de morbidez.
E, no meio e como resultado de tudo isso me pergunto: Destruir ou devorar?
Cama desarrumada
A coberta sobre a cama amarrotada
amargurada
com botões sim, botões não.
Esboço de figuras de paisagens no tecido
dão um ar de finitude
ao corpo que deveria ali repousar. Mas está vão.
Os fios que tecem o que cobre a carcaça
que dá vasão aos sonhos
São o abraço que, quando sozinho, sinto a me pacificar.
O aroma bom do travessero
do eu calmo, sonolento
é a coisa mais vil que insiste em me bastardear.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
sentimento restrito

Um arrepio cálido
Me percorre a espinha
Num semblante arredio-pálido
Num cálice de nada, fogo apagado
e descança na nuca, pudica.
Essa é a mo-no-to-ni-a
Casamento orgânico, com um sentir só
Santa exisência, mais santa avaria
Na lataria, bem podes ver, aqui, ó.
Se queres ensejo
Some lance, ocasião e oportunidade
Juntai tudo, em um mesmo delito
E terás, conjunto e restrito
Um leque de trivialidade.
Me percorre a espinha
Num semblante arredio-pálido
Num cálice de nada, fogo apagado
e descança na nuca, pudica.
Essa é a mo-no-to-ni-a
Casamento orgânico, com um sentir só
Santa exisência, mais santa avaria
Na lataria, bem podes ver, aqui, ó.
Se queres ensejo
Some lance, ocasião e oportunidade
Juntai tudo, em um mesmo delito
E terás, conjunto e restrito
Um leque de trivialidade.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Eza
domingo, 26 de julho de 2009
Noite
Gosto de baunilha
Cheiro de grama cortada
Barulho de mar
(E mórbida)
A noite de agora
parece infinita
Linda.
(E quieta a cantar)
Os trejetos sinalizam luzes
Remetem a algo
Que eu não sei explicar
(E pálidas)
A vontade de tudo
Que dissipo no nada
Está a transbordar.
(Tão gélidas)
Borrões de mirra
Insensos de incestos
Carícias, perícias
E o med0 de estar.
Tão sólidas.
Cheiro de grama cortada
Barulho de mar
(E mórbida)
A noite de agora
parece infinita
Linda.
(E quieta a cantar)
Os trejetos sinalizam luzes
Remetem a algo
Que eu não sei explicar
(E pálidas)
A vontade de tudo
Que dissipo no nada
Está a transbordar.
(Tão gélidas)
Borrões de mirra
Insensos de incestos
Carícias, perícias
E o med0 de estar.
Tão sólidas.
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Perdido
O descame de pele aos ácaros
O reclame de fé aos bárbaros
Nem tudo faz sentido (nem deveria).
Sentado aqui, brincando com o sentir
Sentido, sentindo o mais e maior desejo
O próprio, o vão, o lento e o esguio
Aquele que se perde no final de um fraquejo.
Latejo, o corpo nem sequer se diferencia
Do solo e do céu, um embaixo e outro em cima
E no meio, entre terra e nuvens pesadas
O Eu, aquilo que é (in) certezas passadas.
Sabendo que mata, que cura e que salva
Mesmo assim fujo da luz que tens lido
Um momento, um cálice, uma mente muy alva
E no eu, de novo, constante e perdido.
O reclame de fé aos bárbaros
Nem tudo faz sentido (nem deveria).
Sentado aqui, brincando com o sentir
Sentido, sentindo o mais e maior desejo
O próprio, o vão, o lento e o esguio
Aquele que se perde no final de um fraquejo.
Latejo, o corpo nem sequer se diferencia
Do solo e do céu, um embaixo e outro em cima
E no meio, entre terra e nuvens pesadas
O Eu, aquilo que é (in) certezas passadas.
Sabendo que mata, que cura e que salva
Mesmo assim fujo da luz que tens lido
Um momento, um cálice, uma mente muy alva
E no eu, de novo, constante e perdido.
Tempo pro meu teu (prometeu)
Procura-me com ânsia de encontrar
Seja pele, carne, instinto
Que no meu tempo vago
Eu hei de te mostrar, inato
Uma inquietude ímpar
A sensibilidade do tesão
O calor do amor
E tudo mais que mereceres suportar.
Somos um par de reis
Dois às de paus
Um truco, um tranco
Uma fortaleza de abraços e de pesar.
Longe de sermos moldes feitos
De alma, de viver e de pensar
Ao contrário, somos fortes, somos fonte
De uma nova maneira de amar.
E a indagar se somos loucos
Eu respondo:
- Isso faz alguma diferença?
Se na minha loucura, e na tua, somos poucos
Completos
Quem pode sobre isso dar sentença?
Eu sou a favor das expressões!
Minha mão impressa na tua
Ao preço de fugir das impressões
Nossa vaidade, estampada na calçada
Calcada
Em uma linda maneira de viver
E de levar.
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Barco a esmo
Sobre as ripas da ponte
Sobre os adros do barco
Na estreita distância do leme
Finco minha bandeira de paz.
Na rota da carta de navegante, adiante, me perco na trilha.
O céu, o sol e o mar unidos. Numa vertente de sons e adornos, salgados.
A brisa acaricia o rosto
E os sonhos que diante virão.
A ida se destroi com a mesma lentidão que os pés, de dintância, não de sustentação. Se curva sobre as ondas marcantes, semblantes que hei de esquecer desde então.
Não voltarei, mesmo assim, ao cais.
A emoção de partir sustenta a inquietude do medo de naufragar.
Sobre os adros do barco
Na estreita distância do leme
Finco minha bandeira de paz.
Na rota da carta de navegante, adiante, me perco na trilha.
O céu, o sol e o mar unidos. Numa vertente de sons e adornos, salgados.
A brisa acaricia o rosto
E os sonhos que diante virão.
A ida se destroi com a mesma lentidão que os pés, de dintância, não de sustentação. Se curva sobre as ondas marcantes, semblantes que hei de esquecer desde então.
Não voltarei, mesmo assim, ao cais.
A emoção de partir sustenta a inquietude do medo de naufragar.
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Poema enganado

E se as palavras se enganassem?
Se ao invés de emitir interjeições, viessem fábulas?
Se em detrimento de ensaiar condições, transbordassem fatos?
Creio que tudo seria mais cômodo.
Os poemas às vezes erram. Não transmitem o que o sujeito da ação (pensamento) pretendia semear. Fomento de contradições formicidas, trituradas, cuspidas e escarradas. Erro crasso do querer de mais se fazer entender, de menosprezar o quanto o outro está disposto a aceitar. E até onde se está alerta e ciente para viajar com palavras jogadas ao vento, e figuras de linguagem rebuscadas.
Poema é uma locução sem volta aparente. O eco, neste caso, não existe. Convincente, faz pensar por alguns instantes no que já estava dormente nas ideias, confiantemente perdido entre as indecisões. Se ultrapassar a barreira do momentâneo, já é lucro. O lucro de fazer parecer o que nem sempre é.
A vitória é levar o corção aos prantos, sem a mente nem sequer desconfiar.
terça-feira, 30 de junho de 2009
O que tem no teu Baú?
Vejamos.Abri o meu baú. Ou melhor, arrombei. O segredo, não sei mais. Tu sabes qual é o teu segredo?
Aqui encontrei algumas agruras. Tentativas. Resoluções às pencas, nenhuma usada.
Logo abaixo das incertezas avistei algumas convicções, meio batidas. Bastante recorridas como escudo, e por isso com vários arranhões. Mas creio que ainda possa usá-las. Vou separar, deixar mais a vista. Vou polí-las e reaproveitar.
Para meu espanto, nenhuma traça. Elas não resistiram, eu mesmo me encarrego de remoer todos os ítens, diariamente, ao colocar a cabeça no travesseiro. Para elas não sobrou nada. E isto me dá até um certo orgulho...
Traços de melancolia ao lado das contrariedades, cuidadosamente acomodadas, por serem preciosas. Tesouros íntimos e alguns cacos de porcelana... Devem ser do corpo de algum boneco velho. Aquele que um dia deixei de ser por necessidade.
Marcas em um pergaminho me chamaram a atenção: era o caminho que eu queria seguir. Não sei onde estão as anotações a respeito do ponto de partida, talvez eu ainda não tenha começado a rota. Ou estou tão longe que não faz mais sentido algum os desejos de outrora.
Pronto, arranjei algum espaço. Pouco, mas acho que o suficiente para o que ainda pretendo armazenar neste baú velho. Vou aproveitar que ele está aberto e lhe dar um outro aspecto, que não seja este de letargia. Contudo, reforçarei as trancas. Não quero violá-lo novamente tão cedo, o que aqui está guardado não merece ser misturado com a realidade. É o meu mundo. E o que preciso está longe do que sequer já foi inventado...
Pronto, arranjei algum espaço. Pouco, mas acho que o suficiente para o que ainda pretendo armazenar neste baú velho. Vou aproveitar que ele está aberto e lhe dar um outro aspecto, que não seja este de letargia. Contudo, reforçarei as trancas. Não quero violá-lo novamente tão cedo, o que aqui está guardado não merece ser misturado com a realidade. É o meu mundo. E o que preciso está longe do que sequer já foi inventado...
Palhaçada!
Ô, palhaço.Licença para tal termo. No pejorativo.
Estou farto deste espetáculo engraçado, de mancadas ensaiadas. Do alto destas pernas de pau, o que mais sinto é ânsia. O nariz vermelho já não combina mais com meu papel, com meus anseios. Poderia atear fogo a este picadeiro, cortar as cordas que sustentam as estruturas gastas, em um truque de mágica roubado de outro personagem, desaparecer. Porém, os ingressos já estão pagos, as cadeiras lotadas com os mesmos espectadores. Sedentos de gargalhadas as minhas custas. Caçoam de mim, e este é meu trabalho. Para isso existo. Por isso, queria deixar de existir.
Não sei se notaste a minha roupa. Os babados gastos que colorem minha fantasia e a maquiagem borrada, escorrida, não fazem parte do figurino. São estado de espírito. Elas te fazem rir ao preço da minha vergonha. E, quanto mais retoco os erros, persisto nas esquisitices bizarras, mais tu te divertirás. Por isso, deixa eu me aprontar... O TEU espetáculo precisa continuar.
Custo a acreditar, mas estou sobre os holofotes novamente, imóvel. Posso ouvir tímidos tilintares de pipocas em teus molares, sucção em canudos de refrigerante. Esta é minha deixa. Por isso, deixa eu brincar de existir.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Tempo
O tempo é o senhor da razão. Um senhor carrasco.
Descasca nossa pele.
Descama nossos conceitos.
Desmaia nossos ímpetos. Sem excessões.
Na dança contida do tempo, bailamos solitários, agarrados à boia do futuro, para não nos afogarmos na maré do passado. Aceitamos o passar dos anos, como castigo ou dádiva, como opção massiva para resolução de todas as dificuldades. E das facilidades também.
Descasca nossa pele.
Descama nossos conceitos.
Desmaia nossos ímpetos. Sem excessões.
Na dança contida do tempo, bailamos solitários, agarrados à boia do futuro, para não nos afogarmos na maré do passado. Aceitamos o passar dos anos, como castigo ou dádiva, como opção massiva para resolução de todas as dificuldades. E das facilidades também.
Quanto mais se vive, mais o "acontecer" se torna aparente. Este processo ultrapassa a certeza que aflora na consciência, se resume a uma verdade absoluta que depende de tempo para ser entendida. Por mais que não se queira. Tanto o tempo, quanto a certeza.
Cada segundo se perde nos milhões de minutos, que por sua vez se embaralham nas horas, que se chocam nos dias e desembocam nos anos. Tudo é um fluxo constante, perene, perdido. Na constância do que já foi, e não é mais. Na incerteza do que ainda vai ser.
E na burra realidade do que já é.
Tic-tac.
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Hipérboles (senti)mentais

As palavras estão se tornando escassas... As letras armadas nos fazem esquecer das contemporâneas. Com a onda de letreiros em vão, perdemos a prancha da poesia, da literatura, do simples balão de histórias em quadrinhos. Consequentemente, criamos um vago rancor contra os sujeitos que ainda escrevem os provérbios, conjugam os verbos, cultuam as crazes. Estas, cada vez mais sem acento e sem diferencial, se perdem em um manancial de pronomes próprios: Tudo é MEU, aquilo talvez possa ser NOSSO. Nada é TEU.
Houve uma época, brilhante, em que as palavras tocavam mais do que mãos. Antes desta papagaiada de internet, de mensagens de texto com caracteres contados, tempo das cartas perfumadas e com marcas de baton. A tinta parecia transpor o papel, marcava o outro lado, não se apagava por nada. Marcava também o coração. Hoje, o DELETE faz papel de vilão, não deixa fluir o que noutrora vinha em favas, o que realmente importava: A COMUNICAÇÃO. Este blog serve, em parte, para isso. Claro que não vou pintar os lábios e tascar um beijo na tela do computador, até porque não faria diferença para ti e eu me sentiria meio bobo. Contudo, este é o propósito - Escrever o que vem à cabeça, fazer arte com letras e vogais, com imagens e luz. Comunicar o que importa, seja dramatica, sarcástica ou suavemente. Hipérboles sentimentais, aqui, serão bem vindas.
Abraços!
Houve uma época, brilhante, em que as palavras tocavam mais do que mãos. Antes desta papagaiada de internet, de mensagens de texto com caracteres contados, tempo das cartas perfumadas e com marcas de baton. A tinta parecia transpor o papel, marcava o outro lado, não se apagava por nada. Marcava também o coração. Hoje, o DELETE faz papel de vilão, não deixa fluir o que noutrora vinha em favas, o que realmente importava: A COMUNICAÇÃO. Este blog serve, em parte, para isso. Claro que não vou pintar os lábios e tascar um beijo na tela do computador, até porque não faria diferença para ti e eu me sentiria meio bobo. Contudo, este é o propósito - Escrever o que vem à cabeça, fazer arte com letras e vogais, com imagens e luz. Comunicar o que importa, seja dramatica, sarcástica ou suavemente. Hipérboles sentimentais, aqui, serão bem vindas.
Abraços!
Assinar:
Postagens (Atom)



