terça-feira, 30 de junho de 2009

Palhaçada!

Ô, palhaço.



Licença para tal termo. No pejorativo.


Estou farto deste espetáculo engraçado, de mancadas ensaiadas. Do alto destas pernas de pau, o que mais sinto é ânsia. O nariz vermelho já não combina mais com meu papel, com meus anseios. Poderia atear fogo a este picadeiro, cortar as cordas que sustentam as estruturas gastas, em um truque de mágica roubado de outro personagem, desaparecer. Porém, os ingressos já estão pagos, as cadeiras lotadas com os mesmos espectadores. Sedentos de gargalhadas as minhas custas. Caçoam de mim, e este é meu trabalho. Para isso existo. Por isso, queria deixar de existir.

Não sei se notaste a minha roupa. Os babados gastos que colorem minha fantasia e a maquiagem borrada, escorrida, não fazem parte do figurino. São estado de espírito. Elas te fazem rir ao preço da minha vergonha. E, quanto mais retoco os erros, persisto nas esquisitices bizarras, mais tu te divertirás. Por isso, deixa eu me aprontar... O TEU espetáculo precisa continuar.
Custo a acreditar, mas estou sobre os holofotes novamente, imóvel. Posso ouvir tímidos tilintares de pipocas em teus molares, sucção em canudos de refrigerante. Esta é minha deixa. Por isso, deixa eu brincar de existir.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Tempo

O tempo é o senhor da razão. Um senhor carrasco.
Descasca nossa pele.
Descama nossos conceitos.
Desmaia nossos ímpetos. Sem excessões.

Na dança contida do tempo, bailamos solitários, agarrados à boia do futuro, para não nos afogarmos na maré do passado. Aceitamos o passar dos anos, como castigo ou dádiva, como opção massiva para resolução de todas as dificuldades. E das facilidades também.

Quanto mais se vive, mais o "acontecer" se torna aparente. Este processo ultrapassa a certeza que aflora na consciência, se resume a uma verdade absoluta que depende de tempo para ser entendida. Por mais que não se queira. Tanto o tempo, quanto a certeza.
Cada segundo se perde nos milhões de minutos, que por sua vez se embaralham nas horas, que se chocam nos dias e desembocam nos anos. Tudo é um fluxo constante, perene, perdido. Na constância do que já foi, e não é mais. Na incerteza do que ainda vai ser.

E na burra realidade do que já é.

Tic-tac.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Hipérboles (senti)mentais


As palavras estão se tornando escassas... As letras armadas nos fazem esquecer das contemporâneas. Com a onda de letreiros em vão, perdemos a prancha da poesia, da literatura, do simples balão de histórias em quadrinhos. Consequentemente, criamos um vago rancor contra os sujeitos que ainda escrevem os provérbios, conjugam os verbos, cultuam as crazes. Estas, cada vez mais sem acento e sem diferencial, se perdem em um manancial de pronomes próprios: Tudo é MEU, aquilo talvez possa ser NOSSO. Nada é TEU.


Houve uma época, brilhante, em que as palavras tocavam mais do que mãos. Antes desta papagaiada de internet, de mensagens de texto com caracteres contados, tempo das cartas perfumadas e com marcas de baton. A tinta parecia transpor o papel, marcava o outro lado, não se apagava por nada. Marcava também o coração. Hoje, o DELETE faz papel de vilão, não deixa fluir o que noutrora vinha em favas, o que realmente importava: A COMUNICAÇÃO. Este blog serve, em parte, para isso. Claro que não vou pintar os lábios e tascar um beijo na tela do computador, até porque não faria diferença para ti e eu me sentiria meio bobo. Contudo, este é o propósito - Escrever o que vem à cabeça, fazer arte com letras e vogais, com imagens e luz. Comunicar o que importa, seja dramatica, sarcástica ou suavemente. Hipérboles sentimentais, aqui, serão bem vindas.

Abraços!

domingo, 17 de maio de 2009

Concreto

mais um tijolinho. Ou dois. Está quase pronto.

Depois terei orgulho. Serei como a maioria. Sem feição, sem olhar, sem caricatura. Só um amontoado de argamassa e argila, um punhado de cinemto. Tudo malacabado. A mercê do próprio detrimento.

Para que máscara? Só porque vivemos uma peça de teatro e as cortinas insistem em não baixar? E a plateia, casta e atenciosa, troca os aplausos por um singelo olhar de (des)aprovação? Não vejo motivo. Aliás, não vejo nada... Esqueci de construir janelas neste meu novo layout social.

Respiro, sim, aqui dentro. Meu próprio gás carbônico úmido, constrangido. Nem ele cogita em sair da casca. Por que se aventuraria? Tensão de mais para suportar.

Concreto armado
. Arma branca, burra, defensiva. Não ataca. Nem se destaca. Por si só está rígida, cumprindo seu papel de escudo repelente. Camuflada entre as outras. Comuns. Esta é a intenção.

E tu?

Qual o caminho será o certo? Ou, quem sabe, o menos errado...

Seres hospedeiros de tentativas. Iludo-me ao pensar que somos assim?
Sujeitos de ações nem sempre concretas. Com retas, curvas e paradas estratégicas. Pit Stops para recarregar as energias, retocar a feição que os sustos enrrugam. Colar os pedaços. Moldar um mosaico cimentado de taxações.

Dê-me a maneira certa de conviver com as imperfeições. Se a tiver, ok. Saia deste blog, desligue o computador a vai à puta que te pariu. Não preciso da tua leitura. Ninguém quer a tua interpretação. O que se quer é gente comun.

Sim, nós somos um signifcado. Talvez turvo, esquecido. Soterrado pelos afazeres, pelo que não foi feito. Pelo que nunca sairá do papel. Mesmo assim, e com todas as forças e descrenças ventado contra, com todas as miscelâneas de desavenças e contrariedades, seguimos. Longe, cada qual no seu caminho. Alguns se cruzam, outros se separam. Mas nenhum deixa de ser significativo. Eu caminho para um objetivo.

E tu?

Se não for pedir demais...
.
Posso ter o meu momento?
.
Imaginas só. Estás traquilo, na reunião diária com teus botões, vislumbrando expectativas, rindo das próprias conclusões. Tomando uma coca, talvez. Mascando um doce. Derrepente PAH! A inconveniência se materializa e vem toda rebolativa pro teu lado, com olhos de coruja, sedenta por dúvidas. Mais algumas, para a coleção.
Pronto, já não estou mais sozinho. ESTAVA TÃO BOM!!! Afz.
.
Entendeu?
.
Então, agora defina. O que é "ela", para ti? Preocupação? Rotina? Ócio? Ópio?
.
Todos têm fantasmas. Só resta definir qual o teu.
.
Pensa ai depois me diz.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Amadurece, filho!

Quer me companhar na fatídica tarefa de "adultecer"?

Bom, eu sigo tentando. Óbviamente sem muita vontade, casto na obtinação. Sigo a máxima defendida pela maioria da massas cinzentas, como alguns pensadores, boêmios de fim de tarde ou damas de companhia: Para atingir o objetivo, basta dar o primeiro passo.

Porém, confidencio que ando sentindo umas fisgadas nas pernas. Tendinite existencial. Será que posso ir de carona?

Se há algo errado em dizer que é indispensável amadurescer o mais rápido possível é o fato de que tudo surge ao seu tempo, desde a intolerância até a autoindulgência. Não vejo lucro nenhum em atropelar as fases. A dança deve fluir conforme a valsa. (Se bem que a vida as vezes está mais para um bom e velho tango à la CARLOS ACUÑA).

"Tirá a pel do pesgo" não é fácil. Mas, mais difícil é divdir a fruta do caroço. Os outros dos rótulos. Os pais das expectativas. O futuro das nossas principais preocupações.

Não sou uma Miss. Tenho algo mais para me preocupar, além da PAZ MUNDIAL. Antes de qualquer coisa, quero a minha. E depois reflito se o resto das pessoas merece.

Ok? Hehe
Até.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Esfinge

Uma ideia genial?
Alguns neurônios em combustão por uma mísera grama de inspiração?

Que nada.

O negócio não tá fácil. Chama a mãe que o pai tá mal.

Aliás, como nunca esteve antes. Parece, meu caro, que as coisas não fluem mais como outrora. Mas, será que um dia elas fluiam, ou simplesmente desaguavam? A diferença faz toda a diferença...

Tinha deixado meu Blog meio de lado, vós bem sabeis, meia dúzia de acompanhantes. Mas agora pretendo retomá-lo. Não é só mais uma febre, como tantas outras. Agora é sério. Vi que tem mais gente, além de mim, que precisa ler (e decifrar) o que escrevo. Antes que seja devorado.

Domesticar a esfinge, definitivamente, não é a melhor das decisões.

Viva a liberdade. Upa-upa-hey!

Abraços!



sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Desconfiança

Que merda, eu não tô errado.
VIU?


¬¬

Pronto, desabafei.
Por quê, mesmo quando a gente sabe que tá certo, o universo sabe que a gente tá certo, os poros transpiram certeza... Ainda assim vem uma sobrancelha alheia, com tom de ironia desconfiativa [sic moral, dá licença] e me deixa com cara de tanso?

Ok, pelo menos tenho o que falar hoje, na terapia.
Sessão: "Eu estou certo de que eu estou certo/Preciso de lexotans".
Sobrou algum ai??

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Esta é a vida real???

Às vezes eu também não sinto nada... me sinto estranho, e não é uma sensação boa. É certo, não fico tão anestesiado quanto esse gurizinho ai do vídeo (não sem uma biritinha, óbviamente). E, por enquanto, todos os meus dentes estão no seu devido lugar, ainda bem. Vamos encarar isso como lucro, sendo que tem tanta gente disposta a quebrar um por um, se tivesse coragem. Pfffffff.

Para ele foi o dentista o que para mim é o futuro. Me anestesia, angustia, dá vontade de BERRAR. Não consigo ver nada, e me sinto cansado. Caramba, tem muito pela frente! Carreira, caminhos, decisões, vida afetiva... Blergth. mais uns 70 anos, sendo bem otimista? Vai dizer que pensar assim não te cansa também? Ah, nem vem.

Do alto destes 21 (anos, OK?), estou mais para míope do que para visionário. Atento, permaneço sem ver nada, me sentindo profundamente útil neste mundo de possibilidades. Sei que ninguém vê, nessas horas de reflexão, o que virá pela frente. O que invariavelmente nos espera. E isso não te deixa curiosamente fadigado, companheiro? Quase não consigo terminar este texto, de tanto marasmo. O.o

Mas, entretanto, não deixa de ser uma canseira amiga. "Com a maturidade vem o juízo", certa vez disse minha mãe. Ou foi uma vizinha? Enfim, uma figura materna, como qualquer mulher que está além dos seus "enta" simboliza para mim (ok, sou carente, tenho uma mãe em cada esquila. E, no lar dos idosos, umas 30). A responsabilidade está ai. Os cizos, floresceram. E a maturidade? Tem espaço pra ela na minha vidinha medíocre e alegre? Ixiii...

Enquanto o sortudinho ali tem pontos na boca, eu os tenho na cabeça. Internamente, pontos DE VISTA. Aliás, uma miscelânea deles. E olha que evito tocá-los, para não embaralhar mais.

E, sim, isso não vai durar para sempre. Pelo menos, não até o próximo post.

FALA MOSADA!

(obs - Se tu não entende inglês, MANÉ, tá ai o link, do iutubi, do vídeo com legendas em português: http://www.youtube.com/watch?v=2sWSerx84iQ)

Ah, os problemas...


Vamos resolver, né?


segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Edmar


A meia luz, meio som, meia imagem.
A vontade de sair daqui e cumprir o que ainda não tomei por consciência. Saborear a porventura dos ventos, no rosto. Transpor esta inoperante e desgostosa abstinência.
O que ainda não fiz...Mas ah! Foi por um triz. ]
Ser perdido, dançante, manequim. Exemplo de coluna ereta, ter a constância como meta, um ombro cálido como estopim. Um desejo latente, um colírio ardente, um querer ser já na vontade de não mais estar. Depois disso tudo, o que mais sei é que me chamo Edmar.

Não vivo o hoje como veneno. Tampouco como elixir de boa sorte. Driblo a morte, a covarde distração de objetos (cenas sem corte) e ao impulso de arquitetar planos lanço minha sorte. Vou indo como quem nunca foi, mas como quem sempre quer voltar. O caminho é longo, a estrada é íngrime, o impulso cessa. E é ai, sempre nessa pressa de atingir o que estipulei, de pular os obstáculos que eu próprio criei, que me atrapalho no labirinto do adultecer. Do fazer e do amar. E, cada vez mais perdido no que acho, cada vez mais constante no que abraço, sinto que me chamo, Edmar.

Não falo mais alto. Não caio nos verbos. O curso que agora tomo, em goles homeopáticos, tem tudo a ver com cautela. Janela aberta, sol que entra, calor que sai. Dos poros, livre e vai. Desejo paralelo, uma cria que a robustos olhos se copia, se traduz e se trancende. Um escape de viver complicado, compilado, inocente. Um ser que tenta e chora, copiosamente, pelo direito de poder se firmar. Neste momento, mais do que nunca, atendo pelo nome de Edmar.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

A arte do realismo













Os planos são reais.
E o esforço insiste em cansar.
Pode parecer medonho, mas contra sentimentos não existem fatos. Esse deveria ser o ditado correto.
Incerta mais do que parece ser, é a vida. Ela me irrita. A mãe de todas as piadas, a mais sem graça e de mau gosto. No rosto, exprime as vontades de um sorriso forçado, ou olhares escondidos pela catarata da aparência. Na alma (aquela que uma religião qualquer nos fez acreditar que existe), ela dói. Machuca e arranha, marcando fissuras invisíveis, mais profundas do que as que o tempo carimba na pele. Sim, ele mesmo. Tempo. Aquele que a consciência repele.

Não farei perguntas. Minha parte jornalística e curiosa ficará de lado agora. Em detrimento, exitarei respostas. Emplastarei certezas escusas e tortas, escuras e mortas. Aquelas que todos nós temos como fantoches para distrair a voraz acompanhante, a auto piedade. Mesmo sem querer que se tenham pesares, a escolha não é nossa. É da porcaria de coletivo que nos cerca. E isso sim é a verdadeira tortura de ser ignorante: Saber que, por melhor que isso seja, sempre alguém nos superará. Na burrice.

sábado, 9 de agosto de 2008

Carpete


____Tento me controlar neste dia preto e branco, ranzinza. Com a minha cara no espelho, pálida. Nesta tela de blog, que nunca foi tão negra, parda e cinza.
____Boa notícia: o mal não está mais aqui! Nos bolsos, nas bainhas nem nas partes sujas da minha calça desfiada. E até já sinto falta dele, tributo a um atencioso companheiro, andarilho de estrada.
____Desfilo pantufas pelo carpete sujo de bolachas velhas, a procura do que seria a analogia ao bem. Ao meu próprio e inequívoco bem. Garimpo em vão e tão ao léu. Nem as gatas quiseram terminar com o pouquinho que ainda sobrou ali, do lado da cama, inconseqüente. E ai me refiro aos biscoitos, obviamente.
____Mas eu compreendo, já que existem coisas que também não me descem a garganta mesmo eu sendo racional. E muitas vezes as “bolachas” que eu não consigo deglutir são até mais doces do que as migalhas encruadas entre as lãs do carpete, em fragmentos gosmentos. Na aspereza de algo colocado para proteger os pés do frio, mas que acaba por blindar também contra calor. A antiga história da causa e conseqüência, tão conhecida e sem consistência.
____Se bem que elas (as dificuldades) são igualmente de mau aspecto. Porém estas encontro entre as lãs cinza do meu cérebro, esparramadas num canto onde nenhum aspirador de agruras pode ter acesso. E, portanto, limpar fica difícil. Por isso lá permanecem, com a maior inocência do mundo, criando fungos e se tornando cada vez mais indigestas. Fisicamente feias e biologicamente intragáveis. Para homens e felinos.
____Conclusão: Para a sujeira dos meus pés um esfregão e um pouco de água resolvem. Para as da cabeça, nem que eu esfregasse até o fim da escova e usasse toda água subterrânea de algum lençol freático por ai. Não tem como freá-las. Elas estão tão encruadas na mente, refletidas nos costumes, e nenhuma ação voluntária pode surtir efeito. São como gatos no cio, seguindo seu instinto de sobrevivência. E com medo de água. Neste e em todos os outros casos, das assustadoras águas da Razão.

domingo, 3 de agosto de 2008

Inércia estanque

_____Impossível não se sentir pequeno aqui. Sibéria individual.
_____O inverno chega ao coração, além de congelar as orelhas e forçar um casaco de lã, lânguido. Sistema de devoção.
_____Tudo o que foi concluído durante uma pseudo vida ainda é pouco comparado a 5 segundos de fúria sentimental. Poucas vezes eles se responsabilizam e desfiguram tanto meu rosto. Agora, não mais têm força pra isso. Silenciosamente, o corpo ainda sofre o que o consciente já não precisa mais suportar. Estou forte, estamos atentos. Morte súbita da esperada covardia. Refluxo de júbilo. Tudo vira poeticamente admirável, quem diria.
_____Literato. Complexo. Engrenagem movimentadora de loucuras, esta é a súmula da realidade. Resumo de retóricas que engasgam e não são ditas, melhoras que brotam e não são sentidas. Sentidos que destoam e confundem, setas apontando para todos os lados, mais de uma saída. Fechadura com mais de um segredo, novela com mais de um enredo. Alavancas que atravancam o caminhar, ao invés de levantar. Verbos que remetem a estagnação, ao invés de movimentar. Novelos de lã que enforcam ao preço de esquentar. E contudo o todo, e todos, na sua estante. Com seus olhares tão langues, insistindo na quebra de uma inércia que não tem sentido de estar.